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Mensagem ao Concílio de Huron – maio-junho 2017

Message to the Synod of Huron – May-June 2017

 

 

Agradecimento.

Agradeço muito a Diocese de Huron, representada na pessoa da Bispa Linda, a minha Diocese e a USPG (United Society Partners in the Gospel) a oportunidade de estar aqui com vocês durante este meu tempo de sabático. Tem sido um tempo muito bom de estudos, reflexões e principalmente de encontrar pessoas.

 

Os Encontros.

Acredito que a mais difícil e apaixonante coisa nas nossas vidas é justamente experimentar esses encontros. Jesus sabia muito bem disso, por essa razão insistiu tanto nos evangelhos que devemos amar o nosso próximo. Também ensinou que é por deliberada vontade que nos tornamos próximos de alguém (Lucas 10:36).

Enxergo a nossa relação de companheirismo principalmente como esse contato que proporcionamos entre as pessoas. Seres humanos que deixam de ser apenas um número na estatística ou um nome em uma lista de oração e ganham um rosto.

 

Essas conexões que realizamos nos fazem entender como o poeta inglês John Donne que não somos seres isolados, mas fazemos parte deste vasto continente que é a humanidade. E podemos explorar as potencialidades positivas daquilo que chamamos de globalização, ou, se preferirmos, mundialização.

 

 

A Estação.

 

Tenho certeza que os canadenses que viajaram ao Brasil e os brasileiros que estiveram aqui no Canadá carregam agora essa experiência em suas bagagens. Tenho certeza que todas as pessoas que têm participado mais efetivamente de nossas instâncias de companheirismo têm sido transformadas sensivelmente por esse contato. A partir do encontro com o outro nunca seremos os mesmos.

 

Cada um de nós carrega agora um pedaço do outro, Bob eKathie, Saulo e Ruth, Stephanie, Joseane, Mary, Marcos, Lourdes, Peter, Victoria, Graham, Mona, Hilton, Sandy, Claire, Laurie, Gerard, Joy…... E todos as outras pessoas que entrelaçaram suas vidas nestes encontros de companheirismo.

 

Confesso, que hoje, aqui deste lugar, posso dizer que me sinto feliz ter contribuído com isso, de alguma forma.

 

Lamentamos imensamente que problemas com os vistos tenham impedido recentemente uma aproximação maior entre nós nos últimos tempos, mas espero que consigamos modificar essa situação no futuro.

 

 

As Despedidas.

 

Quando penso sobre o futuro de nosso companheirismo, imagino que podemos e devemos aprofundar esse contato entre as pessoas. Tentar promover outros momentos de presença continua sendo um imperativo. E não só a presença física, outras formas podem ser testadas e promovidas. Até mesmo chegamos a pensar numa conferência missionária utilizando os recursos da Internet. Também chegamos a conversar como nossas instâncias de ação social poderiam contribuir umas com as outras –vejo a urgência disso principalmente devido ao período difícil no qual o meu país se encontra mergulhado, tempos apocalípticos, diria. O mais importante é que sigamos tentando. Para dificuldade de nossas mentes “modernas”, gosto muito de um ditado espanhol que diz: “o caminho se faz ao caminhar”.

 

A nível de lideranças episcopais, essa caminhada se inicia aqui no Canadá com Bob Bennett e Terry Dance, e agora continua com Linda Nicholls. Na Amazônia venho tentando cumprir minha parte nestes quatro anos de relacionamento. E entendo, a honra de receber o título de Doutor Honoris Causa em Divindade em parte como reconhecimento dessa contribuição a Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, também estará chegando este ano o momento que tenho de passar a continuidade do trabalho a outra pessoa. São Paulo, com uma compreensão clara do seu ministério afirmava: “Afinal de contas, quem é Apolo? E quem é Paulo? Somos somente servidores de Deus, e foi por meio de nós que vocês creram no Senhor. Cada um de nós faz o trabalho que o Senhor lhe deu para fazer: Eu plantei, e Apolo regou a planta, mas foi Deus quem a fez crescer” (1 Coríntios 3:5-6).

 

Ruth, Thomas e eu decidimos que está na hora de deixarmos a região e continuarmos nossos trabalhos em outra parte. Espero que de alguma forma está decisão encontre acolhida no coração de Deus. Pois, ainda não sabemos para onde iremos e o que iremos fazer no próximo ano...

 

 

Conclusão.

 

O que tenho certo é que este é um momento de despedida, não sei se teremos a oportunidade de nos encontrar novamente, mas tenho certeza que como bispo da Amazônia está será a última vez que estamos juntos. Por isso, quero agradecer muito a carinhosa acolhida e o apoio que recebemos nestes quatro anos de companheirismo. Verdadeiramente partilhamos nossas vidas neste período e carrego comigo o rosto de muitos amigos e amigas que fazem parte do continente ao qual pertenço.

 

Faz algum tempo encontrei um rapaz do continente africano que me disse saber duas expressões da língua portuguesa que havia aprendido com a revolução socialista em Moçambique. A primeira era: “Muito obrigado”. E a outra era: “A luta continua”.

 

Então, do fundo do meu coração: “Muito obrigado” e a “luta continua”.

 

Deus abençoe vocês.

 

 

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